sábado, 17 de setembro de 2016

RESENHA 'A FILHA DO REVERENDO' de George Orwell

Título:
 A Filha do Reverendo

Título Original:
 A Clergyman’s Daughter

Autor:
 George Orwell

Tradução:
 Álvaro Cabral

Editora:
 Nova Fronteira

Número de páginas:
319  

Ano:
1985



FILHAS OU FILHOS DO MUNDO


Dorothy era uma mulher de bom coração e dedicada acima de tudo às obrigações paroquiais. Chegando a assumir as responsabilidades do pastor, seu pai. Até ao ponto de obter recursos para cobrir as despesas da casa e da igreja. E assim vivia Dorothy, resignada a trabalhar em pro a comunidade, levar conforto a quem precisava e empregar punições a si mesma, cada vez que tivesse qualquer pensamento pecaminoso ou que a desviasse do caminho de sua fé.

Porém, um dia, aconteceu uma reviravolta na vida de Dorothy, ela desapareceu misteriosamente de sua casa. E um boato logo se espalhou, de que ela havia fugido com um homem de péssima reputação; isso causou desconforto para seu pai e um grande alvoroço na pacata cidade em que vivia. 

Mas, quando ela deu por si, estava perdida, no meio da rua, longe de casa, sozinha, sem dinheiro e sem memória...

E assim começa a história de Dorothy, que passa por muitas privações, humilhações e situações sub-humanas; como acontece a muitas pessoas que vive ou sobrevive no chamado submundo; invisíveis aos olhos da sociedade. E um dia, por um acaso, ela recobra a memória e começa a entender quem ela é e o que representa para a sociedade.

A história de Dorothy se confunde a outras tantas, de filhas ou filhos do mundo. Os quais, são condicionados a acreditar e a viver de acordo com o interesse de um sistema; seja ele: familiar, religioso ou político, que os manipula, transformando-os em soldados, prontos a obedecer; indiferentes ao que seja certo ou errado, a eles não é dado o direito de escolher, mas sim, de acreditar que é deles a escolha feita. E mesmo que os levem a um precipício, são incapazes de lutar.

Assim caminham as Dorothys da vida: as filhas de: pastores, professores, donas de casa, policiais, empresários, magnatas... Todos vivem fechados em seus mundos, se repetindo, sem visar mudanças que venham melhorar o mundo.

E muita gente vegeta, dando o melhor de si para coisa nenhuma e nem se importam se o que realizam faz a diferença. E mesmo assim, esperam ter um futuro melhor. Mas que futuro? Um bando de hipócritas, que vivem sem se importar uns com os outros; com o bem-estar de um todo. Pois para uma parte da sociedade, o importante é juntar riquezas e se manter seguro em sua área de conforto. 

     É preciso sair da casca do ovo e olhar em volta. O mundo carece de amor, respeito e dignidade.

A Filha do Reverendo é um romance que nos leva a refletir sobre a nossa existência, qual o nosso papel no mundo e se somos capazes de nos reconhecer ou revolucionar o nosso modo de viver em pró ao próximo.


Muito bom! Recomendadíssimo!


Jussara Pires.

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