domingo, 31 de maio de 2015

RESENHA ‘A METAMORFOSE’, de Franz Kafka


Título Original: Die Verwandlung
 Autor: Franz Kafka
 Ano: 1912 
 Número de Páginas: 96
Editora: Campanha Das Letras
34° Edição 2015







     É PRECISO SE METAMORFOSEAR PARA ALÇAR VOOS

   O termo "kafkiano" é visto como algo complicado. Assim é esse livro, difícil de ser entendido no início. E, começando pelo começo, onde ele já entra com um absurdo surreal, inimaginável: uma metamorfose... Eu devorei o livro, queria saber de que ele falava, a que ele se referia... Não poderia ser simplesmente “aquilo”, aquela “coisa” ... O que era mesmo?

   Ao passar as páginas, eu me sentia cada vez mais envolvida na história, nos sentimentos, nos sofrimentos, no âmago do personagem. Apesar da repulsa da metamorfose em si, daquele bicho asqueroso sem forma definida; e ao mesmo tempo eu me via em seu corpo, transformada, alienada do mundo.

   A história nos mostra a necessidade de mudanças. Muitas vezes precisamos parar para analisar o que fazemos, e se o que fazemos é realmente o que queremos ou se somos produto do que querem o que sejamos.

   Algumas pessoas manipulam outras para se beneficiar, A ideia é fazê-las acreditarem que tudo é feito por uma boa causa, mas que na verdade é apenas uma maneira de tirar o máximo proveito possível da situação, e assim, o sacrifício se torna uma satisfação pessoal, uma submissão.

    Por isso, às vezes é preciso transformar, mudar a forma de pensar e de agir. Passar a ver o mundo por outro ângulo, e observar as atitudes das pessoas à nossa volta. Porque a maioria das vezes elas roubam o que temos de mais precioso: as nossas vidas!

   O livro tem só 96 páginas de pura ficção reflexiva. Uma história interessante, fácil de ler. Só não descobri qual era o bicho, e ainda estou em dúvida... Será que era...

    Desafio você a descobrir!


    Excelente!


Jussara Pires

quinta-feira, 7 de maio de 2015

RESENHA ‘ADULTÉRIO’ de Paulo Coelho.



Editora: Sextante
 Autor: Paulo Coelho
 Ano: 2014
 Número de Páginas: 240





AQUELE ALGO MAIS...

Como todas as histórias contadas por Paulo Coelho, essa também deixa uma vasta possibilidade de interpretações, que depende tão somente da vivência e da maturidade de quem for ler.
O adultério é o ato máximo da traição de um cônjuge que jurou fidelidade. Mas o adultério é normalmente cometido pela maioria dos homens, quase como uma ostentação de sua masculinidade. Porém, não é visto bem assim, quando cometido pelas mulheres...
Linda é a protagonista desta história. Ela é uma mulher bonita, bem relacionada, e tem um bom emprego. Sua vida financeira é estável, possui filhos adoráveis, um marido amoroso e compreensivo. E a maioria de suas amigas a invejam.  Não há motivos para ela se queixar da vida, porém, Linda não é feliz.
Quantas vezes nos perguntamos: será que a vida é só isso?
Pois bem! Foi o que aconteceu com Linda. A cada dia que passava ela se via mais infeliz, mas ela não sabia dizer o porquê. E pior... Ninguém parecia perceber a sua infelicidade...
E não chega a ser uma surpresa encontrarmos pessoas que trilham caminhos preestabelecidos como sendo ideais para alcançar a felicidade. Mas que, debaixo desta falsa felicidade está estampado o descontentamento, por não ser verdadeiro consigo mesmo, e as frustações, por não fazer o que realmente gostaria de fazer.
Mas afinal, de quem seria a culpa da infelicidade e infidelidade de Linda?
Segundo a minha interpretação, a culpa seria tão somente de suas escolhas e dos caminhos que ela mesma traçou para chegar aos seus objetivos. Porque ao invés de viver para satisfazer aos seus anseios, ela vivia procurando satisfazer às exigências impostas pela sociedade: ser a mulher mais desejada, a mãe mais esperada, uma ótima profissional, ou seja: ter uma vida perfeita.
O pecado cometido por Linda não foi procurar o algo a mais que faltava em sua vida nas mãos de outra pessoa, mas acabou encontrando a resposta aonde nunca pensou que encontraria, e a única coisa de que precisava para ser feliz.
Uma história simples, comum e até boba, pode-se dizer. Mas com um conteúdo de profunda reflexão sobre a vida. E assim nos mostra Paulo Coelho, que a vida não é complicada é preciso apenas saber interpretá-la.


Muito bom!

Jussara Pires