terça-feira, 4 de dezembro de 2018

RESENHA ‘VLAD, A ÚLTIMA CONFISSÃO’


Título:
VLAD, A ÚLTIMA CONFISSÃO

 Título Original:
VLAD: THE LAST CONFESSION
Autor:
C.C. HUMPHREYS
Tradução:
MARIA JOSÉ SILVEIRA
Editora:
EDITORA RECORD
Número de páginas:
457
Ano da publicação:
2010


 O FILHO DO DIABO
Foi o monstro que virou um mito ou foi o mito que virou um monstro? Mas como diz o ditado popular: “nem sempre o diabo é tão feio quanto o pintam”.
Quem já não ouviu falar da história sobre o Conde Drácula? Um personagem da história de BRAM STOKER? O primeiro vampiro que iniciou as diversas lendas sobre vampiros?  Como não conhecer, não é mesmo? Mas, e a história sobre o homem que inspirou o autor a escrever sobre o vampiro, você já ouviu falar?  
Pois então, pouco se sabe sobre esse homem. E as poucas referências conhecidas sobre ele são mais sensacionalistas do que verdadeiras. E para desvendar a lenda, baseado em fatos, o autor nos conta a suposta história de Vlad Temper.
Vlad Temper foi um príncipe e um grande guerreiro que tocava terror por onde passava. Era conhecido como: “O empalador”. Ele foi temido por seus inimigos, por seus aliado e até mesmo por seus amigos. Mas ao contrário do Conde Drácula, de Bram Stoker, Vlad existiu de verdade.  
Ele era chamado por Drácula, ― nome o qual foi emprestado ao “vampiro” ―  que significa em turco: o filho do Diabo, porque ele era um verdadeiro monstro. Talvez nem tanto quanto contavam, mas com certeza a sua fama o precedia e mantinha o medo necessário vivo para impor respeito a seus inimigos.
Vlad era considerado por muitos um louco, como tantos outros loucos que já tocaram multidões. Mas, apesar de sua crueldade, o que ele fazia era por uma boa causa, a fé! Entretanto, quantos já não usaram a fé para justificar suas atrocidades? E foi em nome da fé, que ele se tornou a lei, o juiz e o carrasco.
Mas nenhum monstro no passado (ou do presente), em nome de seus ideais, cometeram crimes contra a humanidade sozinhos; nada conseguiriam se não houvessem outros a seguir e outros a apoiar.
Vlad, na verdade, era apenas mais um instrumento poderoso nas mãos do poder.
Vlad vale a pena ler!
Eu recomendo!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

RESENHA 'O RETRATO DE DORIAN GREY'



Título:


O RETRATO DE DORIAN GREY’

Autor:

OSCAR WILDO

Editora:

ABRIL CULTURAL

Número de páginas:
270

1° EDIÇÃO:
1972



  O ESPELHO DA ALMA

Quem já não desejou permanecer eternamente jovem?  Manter para sempre a inocência da juventude? Já imaginou se alguém conseguisse uma maneira de nunca envelhecer?  Pois então, Dorian Grey achou, mas nunca pensou que teria que pagar tão alto!

Dorian era um rapaz alegre e sem compromisso com a vida e todos o admiravam por sua beleza. Um dia, seu melhor amigo, um pintor de talento, conseguiu capturar essa beleza em um retrato. Mas esse retrato deixou Dorian muito infeliz. Pois ele sabia que, com o passar do tempo, ele perderia o frescor da juventude. Mas seu retrato nunca perderia a beleza daquele momento. Porém, o que Dorian não sabia, era que o retrato não capturara a sua beleza física, mas sim, a beleza de sua alma!

Imagine se você ao se olhar em um espelho não visse seu reflexo, mas sim o reflexo de sua alma; como você acha que ela se pareceria?

 alma é o filtro de tudo que fazemos de bom e de ruim. De todos acertos e dos erro que cometemos. Então, mesmo que sua aparência fosse a mais pura inocência, a sua alma seria?

Quantos pecados você já cometeu? Quantas coisas ruins você já fez que possam ter magoado ou ferido alguém? Quantas mentiras? Quantas pequenas maldades, pequenos furtos, pequenos erros? São essas pequenas ações, que torna pequena a alma e a torna cheia de veneno.

As cicatrizes que trazemos no corpo, são resultados das lições que aprendemos com a vida. Mas as cicatrizes que trazemos na alma, são resultados dos erros que insistimos em cometer.

 Você conseguiria se olhar no espelho sem se assustar com o reflexo de sua própria alma?


O Retrato de Dorian Grey, eu recomendo!

domingo, 22 de janeiro de 2017

RESENHA 'ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA' de José Saramago




Título:
Ensaio Sobre a Cegueira

Autor:
José Saramago

Editora:
Companhia das Letras

Número de páginas em pdf:
183






EM TERRA DE CEGOS

Imagina só, o que aconteceria se, de repente, as pessoas ficassem cegas. Cegueira total, daquela que não se vê nem a ponta do nariz.  E, assim sendo, seriam afastadas de suas famílias, de seus amigos e deixadas em um lugar estranho; confinadas, sem nenhuma assistência médica, ou de saneamento básico, ou higiênica... E cada um por si. Imaginou? Seria uma bagunça, né?

Pois então, é isso exatamente que acontece nessa história de Saramago, as pessoas, de repente, se veem cegas, e algumas, sem a capacidade de controlar suas próprias vidas e de tomar decisões. Então, para sobreviverem, se deixam levar pelas imposições de outras pessoas cegas ― mesmo que essas imposições sejam absurdas. Outras, ao contrário, expõem o que há de pior em si e agem da maneira mais vil: roubando, humilhando, subjugando, escravizando e até mesmo matando seus semelhantes. O homem se transforma. Só em condições sub-humanas para conhecermos o  verdadeiro amago das pessoas.

Quando não somos levados pela cegueira que acomete às massas, enxergamos além das aparências. Então, paramos de seguir outros cegos e passamos a pensar, a questionar e escolher nossos próprios caminhos e atitudes.

Mas é bem verdade que, para alguns, a maioria, infelizmente, é mais confortável continuarmos assim, cegos. Andando como um bando de covardes teleguiados. Muitas vezes por comodismo, ou por não querermos assumir nossas responsabilidades, ou as consequências de nossos atos. E mesmo quando enxergamos a cegueira e mesmo assim continuamos seguindo nossos guias, não  somos melhores que eles, nos mostramos mais cegos ainda.


E para quem pensa que esta história é absurda, dramática e muito angustiante, posso afirmar que ela retrata a nossa humanidade com perfeição. E lembra uma história do nosso passado, não muito distante; dos depositos de leprosos, onde seres humanos eram jogados para apodrecerem até a morte. E isso nos faz pensar: a humanidade é podre, pobre, louca e doentia. Precisamos de cuidados. Mas como diz o ditado: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Pois a cegueira não está nos olhos, mas sim na mente e no coração.

Jussara Pires

sábado, 17 de setembro de 2016

RESENHA 'A FILHA DO REVERENDO' de George Orwell

Título:
 A Filha do Reverendo

Título Original:
 A Clergyman’s Daughter

Autor:
 George Orwell

Tradução:
 Álvaro Cabral

Editora:
 Nova Fronteira

Número de páginas:
319  

Ano:
1985



FILHAS OU FILHOS DO MUNDO


Dorothy era uma mulher de bom coração e dedicada acima de tudo às obrigações paroquiais. Chegando a assumir as responsabilidades do pastor, seu pai. Até ao ponto de obter recursos para cobrir as despesas da casa e da igreja. E assim vivia Dorothy, resignada a trabalhar em pro a comunidade, levar conforto a quem precisava e empregar punições a si mesma, cada vez que tivesse qualquer pensamento pecaminoso ou que a desviasse do caminho de sua fé.

Porém, um dia, aconteceu uma reviravolta na vida de Dorothy, ela desapareceu misteriosamente de sua casa. E um boato logo se espalhou, de que ela havia fugido com um homem de péssima reputação; isso causou desconforto para seu pai e um grande alvoroço na pacata cidade em que vivia. 

Mas, quando ela deu por si, estava perdida, no meio da rua, longe de casa, sozinha, sem dinheiro e sem memória...

E assim começa a história de Dorothy, que passa por muitas privações, humilhações e situações sub-humanas; como acontece a muitas pessoas que vive ou sobrevive no chamado submundo; invisíveis aos olhos da sociedade. E um dia, por um acaso, ela recobra a memória e começa a entender quem ela é e o que representa para a sociedade.

A história de Dorothy se confunde a outras tantas, de filhas ou filhos do mundo. Os quais, são condicionados a acreditar e a viver de acordo com o interesse de um sistema; seja ele: familiar, religioso ou político, que os manipula, transformando-os em soldados, prontos a obedecer; indiferentes ao que seja certo ou errado, a eles não é dado o direito de escolher, mas sim, de acreditar que é deles a escolha feita. E mesmo que os levem a um precipício, são incapazes de lutar.

Assim caminham as Dorothys da vida: as filhas de: pastores, professores, donas de casa, policiais, empresários, magnatas... Todos vivem fechados em seus mundos, se repetindo, sem visar mudanças que venham melhorar o mundo.

E muita gente vegeta, dando o melhor de si para coisa nenhuma e nem se importam se o que realizam faz a diferença. E mesmo assim, esperam ter um futuro melhor. Mas que futuro? Um bando de hipócritas, que vivem sem se importar uns com os outros; com o bem-estar de um todo. Pois para uma parte da sociedade, o importante é juntar riquezas e se manter seguro em sua área de conforto. 

     É preciso sair da casca do ovo e olhar em volta. O mundo carece de amor, respeito e dignidade.

A Filha do Reverendo é um romance que nos leva a refletir sobre a nossa existência, qual o nosso papel no mundo e se somos capazes de nos reconhecer ou revolucionar o nosso modo de viver em pró ao próximo.


Muito bom! Recomendadíssimo!


Jussara Pires.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

RESENHA ‘O ALIENISTA’ de Machado de Assis.

Título: O Alienista
Conto
 Autor: Machado de Assis

 Lançado em: 1882
 Número de Páginas: 48
Série Bom Livro
editora Ática
28° Edição
1997







DE MÉDICO E LOUCO, TODO MUNDO TEM UM POUCO!


Quem nunca ouviu esse dito popular?

Muitas vezes, ao vermos uma pessoa agir de maneira estranha, pensamos: “deve ser doido”. Não é mesmo? É claro! Muitas pessoas podem parecer desajustadas, vai depender da referência que usarmos.

Costumamos medir a sanidade alheia, a partir de nosso próprio comportamento. Mas quem garante que podemos ser essa referência?

A aparente sanidade, muitas vezes, só serve para esconder a loucura que há dentro de nós. Então, quem, em sua sã consciência, poderia apontar o comportamento anormal de uma pessoa, só por ela sair do convencional?

     O Alienista fala disso, de um médico que resolve selecionar algumas pessoas para estudar a insanidade humana. Mas ele acaba descobrindo que algumas delas, consideradas loucas, têm seus momentos de lucidez. Assim como, outras consideradas sãs, têm seus momentos de loucura. E, até ele mesmo, um especialista da mente humana, pode agir de maneira suspeita. Pois, quem já não cometeu atos insanos em momento de desespero?

     E, com tantas pessoas aparentemente normais agindo como lunáticas, não sei se não seria melhor ser considerado louco de vez...
         
        Excelente leitura. Para refletir. Recomendo.


Jussara Pires

Domínio público:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action&co_obra=1939



domingo, 26 de julho de 2015

RESENHA 'A CARNE' de Julio Ribeiro

Título: A Carne
 Autor: Júlio Ribeiro
Primeira publicação: 1888
4º edição
1998
Editora: Ática
 Número de Páginas:  144










 DEVASSA...


A Carne é um romance do período naturalista, onde as paixões são exageradas e mórbidas. Assim é classificado esse texto. Na época foi considerado inapropriado às “senhoritas”. Eu mesma fui vítima dessa proibição, já em tempos modernos. ‘A Carne’ ainda era visto como um texto pesado para mulheres de boa reputação. Pois então, aqui estou eu. Depois de anos com este livro em mãos, finalmente eu o leio.
                Pura devassidão...   
O texto reproduz cenas da época em que São Paulo estava em crescimento. Construções e mudanças estavam a olhos vistos. Também muitos detalhes, como: citações de medicina, biologia, física, português, literatura; e nomes de: arquitetos, filósofos, escritores... O texto é carregado em detalhes, que ao meu ver, desnecessários. Mas guarda um relato histórico de grande valia. Porém, apesar de todo progresso, o homem ainda mantinha escravos.
A devassidão que eu vi foi a do poder do senhor feudal daquela época. Que tinha o direito de decidir sobre a vida das pessoas, que mantinha como escravos. E dentro de suas terras a sua vontade era a lei.
E o texto era propriamente uma denúncia os maus tratos dados aos negros, que são citados como fundo da história; onde eles são açoitados, destratados, mortos, desconsiderados como pessoas... Na verdade, eles não eram pessoas, eram mercadorias.
 Mas os leitores só veem o que eles querem ver. Então, naquela época também não viram o que o autor queria dizer, só viram a devassidão de Lenita. Uma mulher com desejo da carne, expondo suas ânsias, seu íntimo, exigindo o direito ao amor livre... Foi uma revolução literária. Mas a denúncia, tão bem colocada, foi velada. Bem típico!
Lenita, a devassa, causou mais euforia entre as “senhorinhas” do que os maus tratos aos escravos. É a história de uma paixão arrebatadora, e de uma mulher que se mostra no controle de seus sentimentos e de suas vontades, até o fim.

Bom livro, apesar da ‘devassidão’, eu recomendo!


Jussara Pires

terça-feira, 7 de julho de 2015

RESENHA 'AMALGAMA' de Rubem Fonseca




Título Original: Amalgama
 Autor: Rubem Fonseca
 Ano editado: 2013
 Número de Páginas:  76
Editora: Nova Fronteira Paticpações SA









DE TUDO UM POUCO


   Como bem diz o título, Amálgama, é uma mistura, a união de coisas distintas.

   Temos neste livro, contos e poemas em um vocabulário rico e ao mesmo tempo despojado. A maioria dos contos é contada na primeira pessoa, nos dando a ideia de uma participação efetiva do autor Rubem Fonseca.

   Mas também têm contos escritos na terceira pessoa e poemas entre os contos. E apesar de misturados, os contos e os poemas, estão entrelaçados, harmoniosos. E as histórias são voltadas para os problemas do dia a dia das pessoas. 

    Alguns tópicos são repetidos, jogados de um conto para o outro, de maneira que, apesar de serem diferentes, percebemos uma continuidade da personalidade dos personagens. 

    Amálgama é um livro diferente, cheio de malícia e é no mínimo intrigante. O texto é fácil de ler e o fim é...  

     Só lendo! 


Jussara Pires