domingo, 26 de julho de 2015

RESENHA 'A CARNE' de Julio Ribeiro

Título: A Carne
 Autor: Júlio Ribeiro
Primeira publicação: 1888
4º edição
1998
Editora: Ática
 Número de Páginas:  144










 DEVASSA...


A Carne é um romance do período naturalista, onde as paixões são exageradas e mórbidas. Assim é classificado esse texto. Na época foi considerado inapropriado às “senhoritas”. Eu mesma fui vítima dessa proibição, já em tempos modernos. ‘A Carne’ ainda era visto como um texto pesado para mulheres de boa reputação. Pois então, aqui estou eu. Depois de anos com este livro em mãos, finalmente eu o leio.
                Pura devassidão...   
O texto reproduz cenas da época em que São Paulo estava em crescimento. Construções e mudanças estavam a olhos vistos. Também muitos detalhes, como: citações de medicina, biologia, física, português, literatura; e nomes de: arquitetos, filósofos, escritores... O texto é carregado em detalhes, que ao meu ver, desnecessários. Mas guarda um relato histórico de grande valia. Porém, apesar de todo progresso, o homem ainda mantinha escravos.
A devassidão que eu vi foi a do poder do senhor feudal daquela época. Que tinha o direito de decidir sobre a vida das pessoas, que mantinha como escravos. E dentro de suas terras a sua vontade era a lei.
E o texto era propriamente uma denúncia os maus tratos dados aos negros, que são citados como fundo da história; onde eles são açoitados, destratados, mortos, desconsiderados como pessoas... Na verdade, eles não eram pessoas, eram mercadorias.
 Mas os leitores só veem o que eles querem ver. Então, naquela época também não viram o que o autor queria dizer, só viram a devassidão de Lenita. Uma mulher com desejo da carne, expondo suas ânsias, seu íntimo, exigindo o direito ao amor livre... Foi uma revolução literária. Mas a denúncia, tão bem colocada, foi velada. Bem típico!
Lenita, a devassa, causou mais euforia entre as “senhorinhas” do que os maus tratos aos escravos. É a história de uma paixão arrebatadora, e de uma mulher que se mostra no controle de seus sentimentos e de suas vontades, até o fim.

Bom livro, apesar da ‘devassidão’, eu recomendo!


Jussara Pires

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