Título: A Carne
Autor: Júlio Ribeiro
Autor: Júlio Ribeiro
DEVASSA...
A Carne é um
romance do período naturalista, onde as paixões são exageradas e mórbidas.
Assim é classificado esse texto. Na época foi considerado inapropriado às “senhoritas”.
Eu mesma fui vítima dessa proibição, já em tempos modernos. ‘A Carne’ ainda era
visto como um texto pesado para mulheres de boa reputação. Pois então, aqui
estou eu. Depois de anos com este livro em mãos, finalmente eu o leio.
Pura devassidão...
O texto reproduz
cenas da época em que São Paulo estava em crescimento. Construções e mudanças
estavam a olhos vistos. Também muitos detalhes, como: citações de medicina,
biologia, física, português, literatura; e nomes de: arquitetos, filósofos, escritores...
O texto é carregado em detalhes, que ao meu ver, desnecessários. Mas guarda um
relato histórico de grande valia. Porém, apesar de todo progresso, o homem ainda
mantinha escravos.
A devassidão
que eu vi foi a do poder do senhor feudal daquela época. Que tinha o direito de
decidir sobre a vida das pessoas, que mantinha como escravos. E dentro de suas
terras a sua vontade era a lei.
E o texto era
propriamente uma denúncia os maus tratos dados aos negros, que são citados como
fundo da história; onde eles são açoitados, destratados, mortos,
desconsiderados como pessoas... Na verdade, eles não eram pessoas, eram
mercadorias.
Mas os leitores só veem o que eles querem ver.
Então, naquela época também não viram o que o autor queria dizer, só viram a
devassidão de Lenita. Uma mulher com desejo da carne, expondo suas ânsias, seu
íntimo, exigindo o direito ao amor livre... Foi uma revolução literária. Mas a
denúncia, tão bem colocada, foi velada. Bem típico!
Lenita, a
devassa, causou mais euforia entre as “senhorinhas” do que os maus tratos aos
escravos. É a história de uma paixão arrebatadora, e de uma mulher que se
mostra no controle de seus sentimentos e de suas vontades, até o fim.
Bom livro,
apesar da ‘devassidão’, eu recomendo!
Jussara Pires

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