quinta-feira, 2 de julho de 2015

RESENHA 'A MAÇÃ NO ESCURO' de Clarice Linspector.



Título: A Maçã no Escuro
 Autor: Clarice Linspector
 Ano da primeira publicação: 1961
 Número de Páginas: 336
(Em pdf: 417 páginas)
Editora: Rocco









AS COISAS NEM SEMPRE SÃO O QUE PARECEM SER


     Confuso. Foi a minha primeira impressão, muito confuso. As ideias estavam embaralhadas. Logo de cara eu quis parar de ler. A leitura não fluía bem. Volta e meia eu tinha que retornar para ver se o que eu entendia era realmente o que o texto queria dizer.

    Os primeiros capítulos do livro é um mar de confusão, melhor dizendo, um deserto de confusão; que mostra um homem misterioso fugindo, não se sabe de que. Mas com o desenrolar da história eu disse: ‘Agora vai!’ Mas foi muito pouco para dizer a verdade. Pois a confusão foi se esclarecendo aos poucos. Depois o homem, que está fugindo, encontra duas mulheres e elas também tem um “quê” de confusão. Aí, a coisa complicou. Mas, quando chegou perto do fim eu entendi tudo.

   Depois que terminei a leitura, eu entendi que era intenção da autora deixar transparecer essa confusão mesmo; que era o estado emocional do personagem, que não compreendia direito o que estava acontecendo com ele. Ele estava em uma transição.
    
     Então, por que a autora não explicou logo? E por que foi preciso tantas páginas para dizer aquilo que, no meu entender, em uma estrofe ou menos se diria tudo? Mas aí é que está. É justamente isso que ela quis explicar, pelo menos foi assim que eu entendi: às vezes, uma verdade não deve ser dita de maneira crua para certas pessoas, porque elas se assustam; às vezes, é preciso recorrer a artifícios para se fazer entender.

     Porém, esse tipo de texto desanima o leitor. O leitor que gosta de ver fluir a história desiste logo no início. O que é uma pena, pois o livro tem muito a nos dizer. E para quem gosta de mistério, e eu digo, não o mistério de um crime, apesar de haver um crime, mas sim, o mistério da interpretação, este livro é um bom petisco.

    A Maçã no Escuro nada mais é, que o nome: maçã; que mesmo no escuro, ao tocá-la, diremos sempre que é uma maçã, porque já conhecemos. Mesmo que o objeto em questão possa ser chamado por outro nome, nunca será dito. Por que? O nome para ele já foi dado. Confuso?

     Pois é! E, para entender o que eu quero dizer é preciso ir além da compreensão, é preciso se despir de tudo o que lhe foi ensinado para poder enxergar as coisas do modo que elas são: sem rótulos, sem nomes, sem manipulações. Pois, as verdades que conhecemos nem sempre são verdadeiras, mas sim, impostas para que as coisas sejam sempre o que são. É mais cômodo “para uns” que sigamos de olhos fechados, cegos, sem questionar o que é certo o que é errado.

    Posso dizer, sem dúvida, que esse livro me reinventou, ou melhor dizendo, me fez pensar tão profundo que eu tive que parar, apagar tudo para recomeçar... E essa é a mensagem do texto: pense, questione e se dê respostas...  Ou será que não é isso?


     Excelente! Apesar de confuso... Recomendo!

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