Título: A Maçã no Escuro
Autor: Clarice Linspector
Autor: Clarice Linspector
Ano da primeira publicação: 1961
Número de Páginas: 336
(Em pdf: 417 páginas)
Editora: Rocco
Número de Páginas: 336
(Em pdf: 417 páginas)
AS COISAS NEM SEMPRE SÃO O QUE
PARECEM SER
Confuso. Foi a minha primeira
impressão, muito confuso. As ideias estavam embaralhadas. Logo de cara eu quis
parar de ler. A leitura não fluía bem. Volta e meia eu tinha que retornar para
ver se o que eu entendia era realmente o que o texto queria dizer.
Os primeiros capítulos do livro é
um mar de confusão, melhor dizendo, um deserto de confusão; que mostra um homem
misterioso fugindo, não se sabe de que. Mas com o desenrolar da história eu
disse: ‘Agora vai!’ Mas foi muito pouco para dizer a verdade. Pois a confusão
foi se esclarecendo aos poucos. Depois o homem, que está fugindo, encontra duas
mulheres e elas também tem um “quê” de confusão. Aí, a coisa complicou. Mas,
quando chegou perto do fim eu entendi tudo.
Depois que terminei a leitura, eu
entendi que era intenção da autora deixar transparecer essa confusão mesmo; que
era o estado emocional do personagem, que não compreendia direito o que estava
acontecendo com ele. Ele estava em uma transição.
Então, por que a autora não explicou logo? E por
que foi preciso tantas páginas para dizer aquilo que, no meu entender, em uma
estrofe ou menos se diria tudo? Mas aí é que está. É justamente isso que ela
quis explicar, pelo menos foi assim que eu entendi: às vezes, uma verdade não
deve ser dita de maneira crua para certas pessoas, porque elas se assustam; às
vezes, é preciso recorrer a artifícios para se fazer entender.
Porém, esse tipo de texto desanima
o leitor. O leitor que gosta de ver fluir a história desiste logo no início. O
que é uma pena, pois o livro tem muito a nos dizer. E para quem gosta de
mistério, e eu digo, não o mistério de um crime, apesar de haver um crime, mas
sim, o mistério da interpretação, este livro é um bom petisco.
A Maçã no
Escuro nada mais é, que o nome: maçã; que mesmo no escuro, ao tocá-la, diremos
sempre que é uma maçã, porque já conhecemos. Mesmo que o objeto em questão
possa ser chamado por outro nome, nunca será dito. Por que? O nome para ele já
foi dado. Confuso?
Pois é! E, para entender o que eu quero dizer
é preciso ir além da compreensão, é preciso se despir de tudo o que lhe foi
ensinado para poder enxergar as coisas do modo que elas são: sem rótulos, sem
nomes, sem manipulações. Pois, as verdades que conhecemos nem sempre são
verdadeiras, mas sim, impostas para que as coisas sejam sempre o que são. É
mais cômodo “para uns” que sigamos de olhos fechados, cegos, sem questionar o
que é certo o que é errado.
Posso dizer, sem dúvida, que esse livro me
reinventou, ou melhor dizendo, me fez pensar tão profundo que eu tive que
parar, apagar tudo para recomeçar... E essa é a mensagem do texto: pense,
questione e se dê respostas... Ou será
que não é isso?
Excelente! Apesar de confuso...
Recomendo!

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