quarta-feira, 16 de setembro de 2015

RESENHA ‘O ALIENISTA’ de Machado de Assis.

Título: O Alienista
Conto
 Autor: Machado de Assis

 Lançado em: 1882
 Número de Páginas: 48
Série Bom Livro
editora Ática
28° Edição
1997







DE MÉDICO E LOUCO, TODO MUNDO TEM UM POUCO!


Quem nunca ouviu esse dito popular?

Muitas vezes, ao vermos uma pessoa agir de maneira estranha, pensamos: “deve ser doido”. Não é mesmo? É claro! Muitas pessoas podem parecer desajustadas, vai depender da referência que usarmos.

Costumamos medir a sanidade alheia, a partir de nosso próprio comportamento. Mas quem garante que podemos ser essa referência?

A aparente sanidade, muitas vezes, só serve para esconder a loucura que há dentro de nós. Então, quem, em sua sã consciência, poderia apontar o comportamento anormal de uma pessoa, só por ela sair do convencional?

     O Alienista fala disso, de um médico que resolve selecionar algumas pessoas para estudar a insanidade humana. Mas ele acaba descobrindo que algumas delas, consideradas loucas, têm seus momentos de lucidez. Assim como, outras consideradas sãs, têm seus momentos de loucura. E, até ele mesmo, um especialista da mente humana, pode agir de maneira suspeita. Pois, quem já não cometeu atos insanos em momento de desespero?

     E, com tantas pessoas aparentemente normais agindo como lunáticas, não sei se não seria melhor ser considerado louco de vez...
         
        Excelente leitura. Para refletir. Recomendo.


Jussara Pires

Domínio público:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action&co_obra=1939



domingo, 26 de julho de 2015

RESENHA 'A CARNE' de Julio Ribeiro

Título: A Carne
 Autor: Júlio Ribeiro
Primeira publicação: 1888
4º edição
1998
Editora: Ática
 Número de Páginas:  144










 DEVASSA...


A Carne é um romance do período naturalista, onde as paixões são exageradas e mórbidas. Assim é classificado esse texto. Na época foi considerado inapropriado às “senhoritas”. Eu mesma fui vítima dessa proibição, já em tempos modernos. ‘A Carne’ ainda era visto como um texto pesado para mulheres de boa reputação. Pois então, aqui estou eu. Depois de anos com este livro em mãos, finalmente eu o leio.
                Pura devassidão...   
O texto reproduz cenas da época em que São Paulo estava em crescimento. Construções e mudanças estavam a olhos vistos. Também muitos detalhes, como: citações de medicina, biologia, física, português, literatura; e nomes de: arquitetos, filósofos, escritores... O texto é carregado em detalhes, que ao meu ver, desnecessários. Mas guarda um relato histórico de grande valia. Porém, apesar de todo progresso, o homem ainda mantinha escravos.
A devassidão que eu vi foi a do poder do senhor feudal daquela época. Que tinha o direito de decidir sobre a vida das pessoas, que mantinha como escravos. E dentro de suas terras a sua vontade era a lei.
E o texto era propriamente uma denúncia os maus tratos dados aos negros, que são citados como fundo da história; onde eles são açoitados, destratados, mortos, desconsiderados como pessoas... Na verdade, eles não eram pessoas, eram mercadorias.
 Mas os leitores só veem o que eles querem ver. Então, naquela época também não viram o que o autor queria dizer, só viram a devassidão de Lenita. Uma mulher com desejo da carne, expondo suas ânsias, seu íntimo, exigindo o direito ao amor livre... Foi uma revolução literária. Mas a denúncia, tão bem colocada, foi velada. Bem típico!
Lenita, a devassa, causou mais euforia entre as “senhorinhas” do que os maus tratos aos escravos. É a história de uma paixão arrebatadora, e de uma mulher que se mostra no controle de seus sentimentos e de suas vontades, até o fim.

Bom livro, apesar da ‘devassidão’, eu recomendo!


Jussara Pires

terça-feira, 7 de julho de 2015

RESENHA 'AMALGAMA' de Rubem Fonseca




Título Original: Amalgama
 Autor: Rubem Fonseca
 Ano editado: 2013
 Número de Páginas:  76
Editora: Nova Fronteira Paticpações SA









DE TUDO UM POUCO


   Como bem diz o título, Amálgama, é uma mistura, a união de coisas distintas.

   Temos neste livro, contos e poemas em um vocabulário rico e ao mesmo tempo despojado. A maioria dos contos é contada na primeira pessoa, nos dando a ideia de uma participação efetiva do autor Rubem Fonseca.

   Mas também têm contos escritos na terceira pessoa e poemas entre os contos. E apesar de misturados, os contos e os poemas, estão entrelaçados, harmoniosos. E as histórias são voltadas para os problemas do dia a dia das pessoas. 

    Alguns tópicos são repetidos, jogados de um conto para o outro, de maneira que, apesar de serem diferentes, percebemos uma continuidade da personalidade dos personagens. 

    Amálgama é um livro diferente, cheio de malícia e é no mínimo intrigante. O texto é fácil de ler e o fim é...  

     Só lendo! 


Jussara Pires

quinta-feira, 2 de julho de 2015

RESENHA 'A MAÇÃ NO ESCURO' de Clarice Linspector.



Título: A Maçã no Escuro
 Autor: Clarice Linspector
 Ano da primeira publicação: 1961
 Número de Páginas: 336
(Em pdf: 417 páginas)
Editora: Rocco









AS COISAS NEM SEMPRE SÃO O QUE PARECEM SER


     Confuso. Foi a minha primeira impressão, muito confuso. As ideias estavam embaralhadas. Logo de cara eu quis parar de ler. A leitura não fluía bem. Volta e meia eu tinha que retornar para ver se o que eu entendia era realmente o que o texto queria dizer.

    Os primeiros capítulos do livro é um mar de confusão, melhor dizendo, um deserto de confusão; que mostra um homem misterioso fugindo, não se sabe de que. Mas com o desenrolar da história eu disse: ‘Agora vai!’ Mas foi muito pouco para dizer a verdade. Pois a confusão foi se esclarecendo aos poucos. Depois o homem, que está fugindo, encontra duas mulheres e elas também tem um “quê” de confusão. Aí, a coisa complicou. Mas, quando chegou perto do fim eu entendi tudo.

   Depois que terminei a leitura, eu entendi que era intenção da autora deixar transparecer essa confusão mesmo; que era o estado emocional do personagem, que não compreendia direito o que estava acontecendo com ele. Ele estava em uma transição.
    
     Então, por que a autora não explicou logo? E por que foi preciso tantas páginas para dizer aquilo que, no meu entender, em uma estrofe ou menos se diria tudo? Mas aí é que está. É justamente isso que ela quis explicar, pelo menos foi assim que eu entendi: às vezes, uma verdade não deve ser dita de maneira crua para certas pessoas, porque elas se assustam; às vezes, é preciso recorrer a artifícios para se fazer entender.

     Porém, esse tipo de texto desanima o leitor. O leitor que gosta de ver fluir a história desiste logo no início. O que é uma pena, pois o livro tem muito a nos dizer. E para quem gosta de mistério, e eu digo, não o mistério de um crime, apesar de haver um crime, mas sim, o mistério da interpretação, este livro é um bom petisco.

    A Maçã no Escuro nada mais é, que o nome: maçã; que mesmo no escuro, ao tocá-la, diremos sempre que é uma maçã, porque já conhecemos. Mesmo que o objeto em questão possa ser chamado por outro nome, nunca será dito. Por que? O nome para ele já foi dado. Confuso?

     Pois é! E, para entender o que eu quero dizer é preciso ir além da compreensão, é preciso se despir de tudo o que lhe foi ensinado para poder enxergar as coisas do modo que elas são: sem rótulos, sem nomes, sem manipulações. Pois, as verdades que conhecemos nem sempre são verdadeiras, mas sim, impostas para que as coisas sejam sempre o que são. É mais cômodo “para uns” que sigamos de olhos fechados, cegos, sem questionar o que é certo o que é errado.

    Posso dizer, sem dúvida, que esse livro me reinventou, ou melhor dizendo, me fez pensar tão profundo que eu tive que parar, apagar tudo para recomeçar... E essa é a mensagem do texto: pense, questione e se dê respostas...  Ou será que não é isso?


     Excelente! Apesar de confuso... Recomendo!

terça-feira, 16 de junho de 2015

RESENHA ‘A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS’ de Markus Zusak

Título Original: The Book Thief
 Autor: Markus Zusak
 Ano: 1975
 Número de Páginas: 384 
Editora: Intriíseca LTDA
1° Edição
2014







 A MORTE TAMBÉM TEM CORAÇÃO


   Uma história no mínimo interessante. Contada em uma época narcisista, onde a presença da morte era quase sempre um alívio para muitas pessoas, que viviam em meio a tanta crueldade da guerra. E os inimigos dos nazistas, tanto fossem os comunistas, negros ou judeus; assim como o próprio povo alemão, esfomeado, sequestrado pelo autoritarismo. Todos eles. Eram submetidos as mais horrendas situações. Ou seja: quem não era a favor de Führer era contra ele. Inimigos declarados ou não, todos sofriam retaliações. Eram maltratados, perseguidos ou mortos.

   A narradora dessa história é nada menos que a tão famigerada Morte. Que um dia, em sua busca diária por almas desencarnadas, cruzou o caminho de Liesel. Uma pequena alemã, que acabara de perder seu irmão caçula para a dita cuja.

   A dona Morte, que “vivia” muito ocupada e amargurada naquele tempo, com tanto trabalho, passou a observar aquela pequena menina, só por distração para aguentar a sua própria lida...

   Liesel não conhecera o pai, e a mãe levou-a para adoção aos dez anos. E, em sua nova morada, ela acordava todas as noites aos gritos, por causa de pesadelos provocados por um trauma, o qual jamais iria esquecer.
           
    Em uma exibição, que podemos até dizer bem-humorada, Markus Suzak nos monstra o outro lado da tão assustadora Morte. O lado piedoso e amável desta velha senhora acostumada com as mais cruéis tragédias da vida, mas que, se mostra sensibilizada com a trajetória daquela menina que cruza seu caminho, por apenas três vezes, mas o suficiente para chamar sua atenção.

   No início do livro, a narradora faz um breve resumo da história para explicar como ela obteve tantos detalhes sobre a vida da menina. Logo depois, passa a contar desde a primeira vez em que a menina roubou o seu primeiro livro, e no desenrolar da narrativa ela faz várias ressalvas para esclarecer alguns fatos e o porquê da menina roubar os tais livros. E, em um caso inédito para mim, a narradora conta antecipadamente quem irá morrer e em que circunstância... Que louco! Mas isso não diminui a curiosidade pela história, muito pelo contrário.

   Este livro possui 384 páginas. Inicialmente pensei: Cansativo. Mas em algumas páginas são exibidas ilustrações, e em outras, letras que imitam as escritas à mão, de um livro confeccionado por um Judeu ― ocupando mais espaço. E as ressalvas então! Essas estão em destaque e tomam uma boa parte das páginas.

  O livro conta algumas passagens reais da história, e para quem não gosta da “didática” pode se surpreender com o modo como esta é contada.

   Gostei! E a narradora é... Intrigante!


Jussara Pires


domingo, 31 de maio de 2015

RESENHA ‘A METAMORFOSE’, de Franz Kafka


Título Original: Die Verwandlung
 Autor: Franz Kafka
 Ano: 1912 
 Número de Páginas: 96
Editora: Campanha Das Letras
34° Edição 2015







     É PRECISO SE METAMORFOSEAR PARA ALÇAR VOOS

   O termo "kafkiano" é visto como algo complicado. Assim é esse livro, difícil de ser entendido no início. E, começando pelo começo, onde ele já entra com um absurdo surreal, inimaginável: uma metamorfose... Eu devorei o livro, queria saber de que ele falava, a que ele se referia... Não poderia ser simplesmente “aquilo”, aquela “coisa” ... O que era mesmo?

   Ao passar as páginas, eu me sentia cada vez mais envolvida na história, nos sentimentos, nos sofrimentos, no âmago do personagem. Apesar da repulsa da metamorfose em si, daquele bicho asqueroso sem forma definida; e ao mesmo tempo eu me via em seu corpo, transformada, alienada do mundo.

   A história nos mostra a necessidade de mudanças. Muitas vezes precisamos parar para analisar o que fazemos, e se o que fazemos é realmente o que queremos ou se somos produto do que querem o que sejamos.

   Algumas pessoas manipulam outras para se beneficiar, A ideia é fazê-las acreditarem que tudo é feito por uma boa causa, mas que na verdade é apenas uma maneira de tirar o máximo proveito possível da situação, e assim, o sacrifício se torna uma satisfação pessoal, uma submissão.

    Por isso, às vezes é preciso transformar, mudar a forma de pensar e de agir. Passar a ver o mundo por outro ângulo, e observar as atitudes das pessoas à nossa volta. Porque a maioria das vezes elas roubam o que temos de mais precioso: as nossas vidas!

   O livro tem só 96 páginas de pura ficção reflexiva. Uma história interessante, fácil de ler. Só não descobri qual era o bicho, e ainda estou em dúvida... Será que era...

    Desafio você a descobrir!


    Excelente!


Jussara Pires

quinta-feira, 7 de maio de 2015

RESENHA ‘ADULTÉRIO’ de Paulo Coelho.



Editora: Sextante
 Autor: Paulo Coelho
 Ano: 2014
 Número de Páginas: 240





AQUELE ALGO MAIS...

Como todas as histórias contadas por Paulo Coelho, essa também deixa uma vasta possibilidade de interpretações, que depende tão somente da vivência e da maturidade de quem for ler.
O adultério é o ato máximo da traição de um cônjuge que jurou fidelidade. Mas o adultério é normalmente cometido pela maioria dos homens, quase como uma ostentação de sua masculinidade. Porém, não é visto bem assim, quando cometido pelas mulheres...
Linda é a protagonista desta história. Ela é uma mulher bonita, bem relacionada, e tem um bom emprego. Sua vida financeira é estável, possui filhos adoráveis, um marido amoroso e compreensivo. E a maioria de suas amigas a invejam.  Não há motivos para ela se queixar da vida, porém, Linda não é feliz.
Quantas vezes nos perguntamos: será que a vida é só isso?
Pois bem! Foi o que aconteceu com Linda. A cada dia que passava ela se via mais infeliz, mas ela não sabia dizer o porquê. E pior... Ninguém parecia perceber a sua infelicidade...
E não chega a ser uma surpresa encontrarmos pessoas que trilham caminhos preestabelecidos como sendo ideais para alcançar a felicidade. Mas que, debaixo desta falsa felicidade está estampado o descontentamento, por não ser verdadeiro consigo mesmo, e as frustações, por não fazer o que realmente gostaria de fazer.
Mas afinal, de quem seria a culpa da infelicidade e infidelidade de Linda?
Segundo a minha interpretação, a culpa seria tão somente de suas escolhas e dos caminhos que ela mesma traçou para chegar aos seus objetivos. Porque ao invés de viver para satisfazer aos seus anseios, ela vivia procurando satisfazer às exigências impostas pela sociedade: ser a mulher mais desejada, a mãe mais esperada, uma ótima profissional, ou seja: ter uma vida perfeita.
O pecado cometido por Linda não foi procurar o algo a mais que faltava em sua vida nas mãos de outra pessoa, mas acabou encontrando a resposta aonde nunca pensou que encontraria, e a única coisa de que precisava para ser feliz.
Uma história simples, comum e até boba, pode-se dizer. Mas com um conteúdo de profunda reflexão sobre a vida. E assim nos mostra Paulo Coelho, que a vida não é complicada é preciso apenas saber interpretá-la.


Muito bom!

Jussara Pires